Constelação Familiar 

Aspectos teóricos

Por que o nome "Constelações"?

Conhecido em alemão (língua natural de Hellinger) como ‘Familienaufstellung’, significa, em tradução literal: ‘colocação’, ou ‘representação’ familiar. Em português, utilizamos o termo ‘constelação’, pois o verbo "stellen" em alemão foi traduzido para o inglês como "constellate" significando o posicionamento de certos elementos numa específica configuração. Como os primeiros escritos de Hellinger traduzidos para o português vieram do inglês, passamos a conhecer a técnica psicoterapêutica como "Constelação Familiar".

Quem é Bert Hellinger?

Bert Hellinger nasceu em 1925, na Alemanha, e formou-se em Filosofia, Teologia e  Pedagogia. Como membro de uma ordem de missionários católicos, estudou, viveu e trabalhou durante 16 anos no sul da África, dirigindo várias escolas de nível superiorPosteriormente, aprofundou seus estudos e pesquisas tornando-se psicanalista e, por meio da dinâmica de Grupos, da Terapia Primal, da Análise Transacional,  de diversos  métodos hipnoterapêuticos e demais técnicas desenvolveu sua própria Terapia Sistêmica e Familiar a qual denominou: Familienaufstellen (respectivamente: “Colocação do Familiar”, traduzido para: Constelações Familiares, no Brasil).

A trajetória de vida de Bert Hellinger

Anton "Suitbert" Hellinger ou Bert Hellinger nasceu em 16 de dezembro de 1925 em Leimen, Alemanha. Foi o segundo de três filhos de Albert Hellinger e Anna Hellinger.

Aos 10 anos, Hellinger foi mandado para o internato em Lohr, onde passou os próximos 5 anos. Ele descreve esse período como o melhor período de sua infância e juventude.

Em 1940, o internato é transformado em hospital militar, e com isso, Hellinger é transferido para o Friederichgymnasium, em Kassel.

Em 1943, ele é selecionado como soldado, para servir no exército alemão. Um ano depois, virou prisioneiro de guerra na França, onde posteriormente conseguiu escapar e retornar para Alemanha.

Em 1946, ela entra para a ordem de Marianhiller, como estudante de teologia. E em 1947, ele se torna seminarista nesta mesma ordem em Würzburg. 

Em 1952, Hellinger é ordenado padre e é enviado para a diocese Marianhiller próximo a Durban, na África do sul. Lá, na Universidade Pietermaritzburg, ele dá continuidade a seus estudos. Neste momento, ele concluiu seus estudos de formação como professor na África do Sul.

Em 1956 ele se torna diretor de uma escola seminarista, para estudantes que desejavam se tornar sacerdotes.

Em 1958, se tornou missionário, também na África do Sul, onde aprendeu a língua do povo zulu e se tornou um tradutor entre esse povo e os missionários. Este é um trabalho ao qual Bert Hellinger se entregou com grande dedicação.

Em 1966 se tornou diretor do Saint Francis College, e um pouco antes disso, teve seus primeiros contatos com dinâmicas de grupo realizadas por sacerdotes da igreja anglicana. 

Em 1969 ele retorna para Alemanha, onde atua como diretor do Seminário da Ordem de Marianhiller em Würzburg. 

 

Neste mesmo período, ele inicia seu contato com a psicanálise e com o estudo da psicologia, na Universidade de Würzburg.


“Quando voltei à Alemanha, em 1969, passei a ministrar treinamentos em dinâmicas de grupos, mas logo notei que isso não me bastava. Por isso, fiz em Viena uma formação em Psicanálise, que também me deu muita coisa” Bert Hellinger

Oferecia cursos e dinâmicas de grupo e se tornou formador do grupo de trabalho para dinâmicas de grupo e psicologia de grupo na Alemanha. 

Participou do grupo de trabalho de psicanálise em Viena em 1971, onde agregou o conhecimento que havia acumulado até ali.

Neste mesmo ano, Hellinger deixou a ordem de Marianhiller, casou-se com sua primeira esposa, Herta e iniciou seu trabalho como psicoterapeuta. Em pouco tempo, se tornou um dos principais terapeutas de grupo na Europa. 

Em 1974, Hellinger vai para os Estados Unidos para estudar a Terapia Primal, Gestalt e terapia transacional e análise de script. 

“O insight decisivo me veio quando pratiquei a Análise de Script segundo Eric Berne. Ele partiu da constatação de que cada pessoa vive de acordo com determinado padrão. Esse padrão pode ser encontrado em histórias como contos de fadas, romances, filmes, etc., que impressionaram essa pessoa.” Bert Hellinger

Em 1979, estudou a hipnoterapia de Milton Erickson, TCI (interação centrada no tema) de Ruth Cohn, PNL e análise bioenergética. 

Em 1990, durante um seminário em que se apresentou como psicólogo, Hellinger entrou em contato com Thea Louise Schönfelder, que na mesma ocasião apresentava sua nova abordagem: a Constelação Familiar.

“Ela trabalhou de forma muito marcante que eu já entendia melhor, se bem que ainda não completamente. Então, quando estava escrevendo uma conferência sobre culpa e inocência nos sistemas, ocorreu-me de repente que existe algo que se pode chamar de “ordem de origem”, isto é, precedência do que é anterior num sistema sobre o que é posterior.” Bert Hellinger


Hellinger pesquisou e aprofundou seus estudos e iniciou pequenos grupos de Constelação Familiar. Em 1992, em Garmisch-Paterkirchen, mais de 300 pessoas mostraram interesse nesta abordagem, e a partir desse momento, ele passou a trabalhar com grupos maiores e com constelação familiar.

 

Em 1995, lança o primeiro livro, “A simetria Oculta do amor”, editado por Gunthard Weber. Neste trabalho, Hellinger formula pela primeira vez as 3 leis da vida, que ele chamou de ordens do amor e da ajuda. 

Em 2003, já divorciado, Hellinger se casa com Sophie. Juntos, fundaram a Hellinger Schulle. 

Em 2004, Hellinger recebe o Nobel alternativo de Medicina Integrativa.

Em 2005, estabeleceu-se a Hellinger Sciencia, com aplicação dos conhecimentos sistêmicos em diversas áreas da vida, como pedagogia, saúde, política, entre muitos outros. 

Em 2008, foi condecorado Doutor Honoris Causis em Medicina integrativa, recebendo um prêmio no mesmo ano em Nova Iorque pela sua contribuição através dos conhecimentos da Constelação Familiar. 

 

“O aspecto mais importante foi reconhecer que o amor atua por trás de todos os comportamentos, por mais estranhos que nos pareçam, e também de todos os sintomas de uma pessoa. Por esse motivo, é fundamental na terapia que encontremos o ponto onde se concentra o amor. Então chegamos à raiz, onde se encontra também o caminho para a solução, que sempre passa também pelo amor.” Bert Hellinger


Bert Hellinger escreveu e publicou mais de 108 livros, já tendo sido traduzido para 38 línguas. Lançou seu último livro, uma autobiografia, em 2018 na Alemanha.

Faleceu em 19 de setembro de 2019 aos 93 anos.

As Leis do Amor, as 3 Leis naturais de Hellinger, o que são ?

Bert Hellinger, percebeu que três leis regem os relacionamentos humanos. Para ele, somos todos regidos por estas verdades, mesmo se não tivermos conhecimento da sua ação sobre nós.

Respeitar as leis naturais oferece um caminho para uma vida mais leve e em conformidade com nosso destino. Desrespeitá-las, conscientemente ou não, traz manifestações que serão percebidas como dificuldade ou peso pelos membros de um sistema.

Estas leis naturais são: hierarquia, o pertencimento e o equilíbrio.

1) Ordem ou hierarquia

Dentro de um sistema, a hierarquia é comandada pela precedência no tempo. Isso significa que aqueles que vieram antes tem autoridade sobre quem veio depois. O avô tem precedência sobre um neto, um pai tem precedência sobre o filho, o irmão mais velho tem precedência sobre o irmão mais novo. No grupo sistêmico, a compensação favorecerá sempre quem veio primeiro.

Por esse mesmo motivo, os que sucedem não podem nem devem interferir nos assuntos dos que vieram antes. Não pode tomar dores ou insucessos, mesmo que justificado pelo amor. Esse amor “arrogante” é tomado pelo sistema como uma interferência e desrespeito pelo destino do outro.

2) O Pertencimento 

Todo membro de uma família tem o mesmo direito de pertencer. O sistema preocupa-se em proteger todos da mesma forma. Se por acaso esse direito é negado a algum membro, o sistema o reconduz ao grupo através da sua representação por outro familiar, geralmente as crianças, que são mais suscetíveis a esse amor cego. Através dessa lembrança, ainda que deslocada, o sistema garante o pertencimento de todos.

O direito de pertencer é de todos em um grupo. O sistema não conhece nenhuma exceção, nem em casos onde nosso julgamento aponta para penalizar com a exclusão aqueles que agem fora da regra intelectual.

3) O Equilíbrio (entre dar e receber/tomar)

É a lei do dar e tomar no trabalho sistêmico. Onde houverem pessoas se relacionando, essa lei estará atuando.

Como na física, os sistemas buscam o equilíbrio entre as trocas que ocorrem. O mesmo acontece nas relações entre as pessoas. Existe uma busca de reciprocidade e compensação nas relações humanas, onde o dar e tomar deve ser praticado em igual quantidade entre os envolvidos.

Num desequilíbrio, uma das partes pode se sentir pressionada a se afastar por não poder retribuir ou a pessoa que dá muito, ao perceber o peso de sua “benevolência”, para de ceder, dando uma chance ao outro de se equalizar na relação.

O que são emaranhamentos?

Se você buscar o significado da palavra emaranhado vai achar que é algo confuso, sem clareza, uma mistura complicada. E é exatamente isso que você pode estar carregando. Uma questão mal resolvida pode transcender as gerações da família e ir se tornando uma bola de neve, cada vez maior e cada vez mais difícil. Quando se olha para ela, não se vê com clareza o ponto inicial do problema, só que ele existe. Você já sentiu que tem algum problema que carrega consigo, mas que não entende exatamente quando ou como ele começou? Pode ser o seu emaranhado.

“Acontece, porém, que na nossa família alguns foram excluídos, rejeitados, esquecidos, dados ou talvez abortados.

E agora essa consciência arcaica procura restabelecer a ordem de tal forma que toma a serviço um inocente, alguém de uma geração posterior, uma criança, um neto ou alguém que veio muito mais tarde, para que ele ou ela represente essa pessoa excluída.

Essa consciência arcaica força alguém que veio mais tarde a ser benevolente. Trata-se, no entanto, de uma benevolência inconsciente para a qual ele ou ela é movido por essa consciência arcaica. Precisam comportar-se como esse excluído, de forma inconsciente. Estão emaranhados”.

Bert Hellinger, em “O amor do espírito”, pg 92.

O que é campo morfogenético?

“Os campos morfogenéticos ou campos mórficos são campos que levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do tempo sem perda alguma de intensidade depois de ter sido criado. Eles são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente.”
Buscando seu significado original, a palavra morfo ou “morpho” vem do grego e significa: forma. Já o termo: genética, é oriundo da palavra gênese, que por sua vez significa origem. Portanto, os campos morfogenéticos podem ser entendidos como ordens e estruturas que dão forma aos padrões de comportamento. Esta teoria defende que todas as coisas possuem uma auto-organização, determinada por seus próprios modelos estruturais.
Deste modo, Rupert Sheldrack, defende que tanto pessoas, animais como plantas podem adotar determinados padrões comportamentais sejam estes, bons ou ruins, herdados de gerações anteriores e do mesmo modo podem perpetuá-los para as gerações seguintes.
Segundo o especialista em biologia holística, em se tratando de moléculas, idéias, cristais e sociedades, isso ocorre porque há um tipo de memória presente nestes campos morfogenéticos, advinda do passado, e que estimula a propagação de comportamentos dentro destes ambientes auto-organizados. Ainda de acordo com o especialista, este processo de herdar memórias inconscientes também pode ser chamado de Ressonância Mórfica.

No processo de Constelação Familiar para poder entender com mais profundidade quem somos e porque somos, precisamos, muitas vezes, acessar informações desconhecidas e, vasculhar, a trajetória passada de nossa família para, então, conectar os pontos, entender a natureza dos fatos e, especialmente, como eles influenciam em nossas emoções, hábitos e resultados.

Neste sentido, é no campo fenomenológico que o campo mórfico acessa estas memórias familiares remotas e onde pode acessar as lembranças e os acontecimentos que estão influenciando negativamente a vida do familiar hoje. Em se tratando de Constelação, muitas vezes, a resposta que a pessoa busca não está aqui no tempo presente, mas no passado da família. Isso quer dizer que acontecimentos de hoje podem estar conectados diretamente a história de algum parente que sequer a pessoa teve a oportunidade de conhecer.